Casal overlander de Goiânia equipa uma Picape GM S10, com um estoque inesgotável de boas vibrações e energia positiva, para desbravar as fronteiras do mundo. Conheça um pouco dessa dupla apaixonada por 4×4, off-road e por colocar o pé na estrada, e fora dela também.


Fotos Arquivo Pessoal/Divulgação

A arte de planejar para simplificar. Essa é a maior lição que aprendemos ao ter contato com Joselle Pinheiro e Amandio Palhares, casal goiano que usa uma boa parte de seu tempo para realizar longas viagens de carro mundo afora. “Completamos todas as Américas, da Patagônia ao Alasca. Fomos também para a China, estamos sempre nos preparando para a próxima aventura”, comentou Amandio.
“Nosso gosto por expedições começou há mais de 25 anos, quando ainda éramos namorados e fizemos uma viagem de férias que saiu do Planalto Central em direção a Fortaleza. Daí resolvemos dar uma “esticadinha” que percorreu todo o litoral brasileiro”, relatou.

Em busca do desconhecido

Antes das grandes viagens, a experiência do casal consistia nas idas e vindas da fazenda dos pais de Amandio, onde vivenciaram situações parecidas, só que com carros 4×2 como o bom e velho fusca. Com a picape 4×4 S10 as coisas ficaram mais fáceis, embora cada vez indo por estradas mais difíceis.

PURO ESTILO DE VIDA OFF-ROAD

O casal começou a mergulhar cada vez mais no estilo de vida off-road overlander, realizaram outras viagens pelo interior do Brasil para conhecer os Parques Nacionais.
Vieram os filhos que sempre os acompanharam e, com o tempo, o Brasil ficou pequeno. A dupla partiu para conhecer o continente sul americano, passando pela Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru. Para visitar esses Países foram necessárias duas viagens distintas.

O casal começou a mergulhar cada vez mais no estilo de vida off-road overlander, fizeram outras viagens pelo interior do Brasil, conhecendo os Parques Nacionais

“Nas duas etapas realizadas na América do Sul rodamos um total de 35 mil quilômetros. Dois anos depois rodamos 65 mil quilômetros até o Alasca. E nossa última viagem, que foi para Asia e Oceania, quando rodamos um total de 67 mil km”, lembrou o expedicionário.

Cruzando o deserto do México

Foram muitas aventuras nesses percursos: altitudes de 5 mil metros, temperaturas de -27º, andamos 2,5 mil quilômetros de estrada de rípio (cascalho), gelo, neve, desertos, florestas, rios e muitas curvas.
Outro destino de peso do casal foi a América Central e do Norte, indo até o Alasca, viagem que começou em Maio de 2014.

 

“Significado de aventura: planejar o dia todas as manhãs e perceber, ao final do dia, que nada saiu como o planejado”

 

Para enfrentar pisos de gelo, uma das técnicas utilizadas é o uso de correntes nos pneus

Joselle lembra que a rotina dos dois não tinha planejamentos em longo prazo. “Vivemos um dia após o outro”, explica a comerciante. A estratégia de desapegar de números como o cálculo de quilômetros ou observar o dia da semana servia para amenizar o que eles consideram a maior dificuldade da viagem: a saudade de casa.

Mirando na magnitude do horizonte
Na imensidão do Grand Canyon, USA

“A saudade é uma coisa que a gente tem que ir administrando, principalmente no começo. Se você pensar que vai ficar mais seis ou sete meses longe, fica difícil” – Joselle Pinheiro

Passando pelo Parque Yosemith, USA

“A saudade é uma coisa que a gente tem que ir administrando, principalmente no começo. Se você pensar que você vai ficar mais seis, sete meses longe, fica difícil”, conta Joselle.
Um dos momentos mais marcantes da viagem para o Alasca, foi a visualização da aurora boreal, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. “Foi um espetáculo. Eu não sabia que o céu tem cortinas que abrem e fecham e é um show”, lembra Amandio.

A beleza grandiosa da Aurora Boreal: cortinas celestes que se abrem e fecham…

Durante a viagem para o Alaska eles “ganharam” 15 famílias que os acolheram em suas casas, pessoas que conhecerem em locais como supermercados e que se interessavam por sua história. “Eles pediam que a gente fosse para a casa deles, contar um pouco mais da nossa vida e aquilo fazia um bem danado pois era o nosso momento família. Nós somos um casal e temos dois filhos, temos famílias no Brasil e, claro, a gente ficou muitos meses longe deles”, lembrou.

Joselle a Amandio com uma placa e a carteira de motorista, na China

A última viagem do casal ocorreu no final de 2016, partindo do Salão do Automóvel, de onde seguiram para a Argentina, para o embarque para a Malásia. Na Asia – o trajeto mais difícil de trip, devido as questões de costumes e língua, principalmente -, passaram pela Malásia, Singapura, Tailândia, Camboja, Laos e China. “Nossa primeira intenção era ir até a Índia, mas devido a Tailândia ter fechado suas fronteiras com Mianmar, foi impossível de continuar. Na Ásia, uma ótima dica para pernoite são os templos e mesquitas, que o casal usou praticamente todas as noites.

 

Fazendo novos amigos no Camboja
Parada num templo da Asia
Um pouco de espiritualidade pelo caminho

“Rodamos um total de 27 mil quilômetros pela Asia, após cruzar toda a China, embarcamos mais uma vez para a Austrália que para nós foi o melhor pais até o momento. Lá rodamos um total de 25 mil km e conseguimos fazer todo o País”.

Estradas infinitas na Austrália. Na placa o aviso: a estrada reta mais longa da Austrália, com 146,6 quilômetros!
Acampamentos de overlanders no trajeto
Travessias de rios na Austrália

Após terminarmos a Austrália embarcamos para Montevideo, e já que estávamos por lá resolvemos seguir novamente para a Patagônia onde fomos ate o Ushuaia, e assim retornamos para nossa casa em Goiânia. Agora estamos nos preparativo para embarcar no segundo semestre para Europa, queremos fazer todo o continente, atravessando a Sibéria e de lá, quem sabe embarcar para o Japão”, finalizou Amandio.

AS LIÇÕES DA ESTRADA

Fazer grandes viagens de carro e ter uma vida simples são atos praticamente inseparáveis, como bem explica Amandio. “Em uma viagem pelo mundo sempre temos experiências negativas e positivas, mas as positivas superam tudo, por isso eu prefiro falar de coisas boas.

Em nossa primeira viagem grande para o Alaska, saímos daqui bastante preocupados, além do receio das pessoas que vivem ao meu redor, mas no decorrer da viagem vi que a vida de um viajante que traz consigo energias positivas, só atrai energias positivas.

“No decorrer da viagem vi que a vida de um viajante que traz consigo energias positivas, só atrai energias positivas” – Amandio Palhares

Ao viajar de carro pelo mundo você acaba se tornando uma vida muito simples, afinal o que te interessa é apenas conhecer o que está a sua volta, você passa a não dar importância a roupas, celulares, esse tipo de coisa. E essa simplicidade atrai as pessoas”, concluiu com clareza.

Acompanhe as aventuras de Amandio e Joselle pelo site: www.viajandonos4x4.com.br e também pelo Instagram, Facebook e Youtube de mesmo nome, além do S-10 Pelo Mundo

A PREPARAÇÃO DA PICAPE 4X4 DA TRIP

Para possibilitar a aventura, o casal tem usado uma picape GM S-10 4×4 (última geração), cabine dupla, equipada com um camper – uma espécie de trailer fixo, instalado na caçamba do veículo. Em um espaço interno aproximado de 6,5 metros quadrados eles dispunham de cama de casal, banheiro com sanitário e chuveiro com água aquecida, além de cozinha com fogão e geladeira.

Interior picape, a casa móvel do casal de viajantes

“Nossa GM S10 é toda original, tendo sido equipada somente com amortecedores *OffShox, devido à sua dupla função no amortecimento e maior capacidade de trabalhar com peso excessivo. Somando os pesos dos equipamentos e água, chegamos aos 700 quilos de carga. Imagine viajar 175 mil km com todo esse peso.

O casal tem usado uma picape GM S-10 4×4 (última geração), cabine dupla, equipada com um camper – uma espécie de trailer fixo, instalado na caçamba do veículo

Nossa S10 é um projeto que hoje é fabricado para todo o mundo, encontramos concessionária em todos os países que passamos, até o momento apenas fizemos revisões e tivemos que trocar um para-brisa. Estamos muito satisfeitos com o desempenho da nossa S10. 

“Nossos equipamentos consistem em pranchas, pá, cinta, ferramentas e um gerador”, informou o viajante.

A origem dos amortecedores OffShox utilizados nessa é S-10 foi a competição de Rally. Foi com a mesma tecnologia Monotubo empregada na fabricação atual, que a marca venceu diversas vezes o Rally dos Sertões, Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade e o Extreme Trophy Brazil.

Amandio optou por instalar bolsas de ar complementares ao sistema de feixe de molas, assim ao retirar o camper, as bolsas são esvaziadas e pode-se utilizar a suspensão original

O sistema de válvulas e calibragem dos amortecedores OFShox, com ampla possibilidade de ajustes, permite o acerto preciso da suspensão

O sistema de válvulas e calibragem, com ampla possibilidade de ajustes, permite o acerto preciso da suspensão. O desenvolvimento é sob medida para cada necessidade, com componentes de primeira linha que garantem robustez e confiabilidade. Tudo para obter a máximo desempenho
Saiba mais sobre os amortecedores e lifts de suspensão OffShox: www.offshox.com.br

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Jornalista Editor natural de São Paulo, tem se dedicado a publicações relacionadas ao universo off-road há 25 anos. Instrutor e piloto técnico, participa ativamente de expedições, viagens e treinamentos de veículos 4x4 e off-road, com as principais marcas do segmento.

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